sábado, 30 de setembro de 2017





"Por vezes, quando nos falta uma pessoa, o mundo todo parece estar despovoado."

Alphonse de Lamartine


"Onde se situam as pessoas na sua vida? Posicionam-se da forma como você desejaria? Fronteiras emocionais nítidas e fortes permitem-nos apreciar os nossos relacionamentos com os outros de uma forma saudável para todos.

Os limites são importantes porque, de contrário, cometemos erros muito dolorosos: passamos muito tempo a fazer coisas a contragosto para os outros e, como consequência, cria-se um ressentimento; pensamos que alguém é um grande amigo, mas essa pessoa ficaria muito surpreendida se lho dissessem; acordamos uma bela manhã e apercebemo-nos de que não conhecemos a pessoa deitada ao nosso lado na cama.

Para viver uma vida pacífica e equilibrada, temos necessidade de fronteiras saudáveis, limites que nos permitem dizer não, evitar um empenhamento excessivo e dar resposta às necessidades de todos. As fronteiras saudáveis são flexíveis e somos nós que as controlamos. 

Procure os indícios de limites frágeis ou pouco saudáveis:

Fornecer informações íntimas sobre si a pessoas inadequadas ou mesmo a estranhos.

Pressupor uma amizade profunda por parte de alguém que é apenas um conhecido.

Auto-convidar-se para sítios para os quais não foi convidado nem é esperado.

Incapacidade de dizer não, mesmo quando lhe parece errado dizer sim.

Sentir-se responsável por remediar o sofrimento de qualquer pessoa.

Incapacidade de detectar as "regras" que se aplicam aos relacionamentos profissionais e pessoais. 

Um símbolo para fronteiras confusas: entrelaçar as mãos. Um símbolo para fronteiras muito rígidas: as mãos bem abertas. Um símbolo para as fronteiras saudáveis: bater as palmas." - David Kundtz

sexta-feira, 29 de setembro de 2017





"Num mundo ideal, o maior propósito da educação seria leccionar «qualidade humana»: como ser uma pessoa melhor, como entabular relações de amor e colaboração com terceiros. Essa seria, sem dúvida, a principal disciplina, a grande distância de todas as outras.

O segundo objectivo seria ensinar as crianças a apreciar «o saber» como ferramenta para o bem comum, para o divertimento, não para competir. Logo, todo o ensino deveria ser opcional.

Não seria esta uma escola maravilhosa?

As experiênicas com escolas livres foram um êxito rotundo. Na Grã-Bretanha, a famosa Summerhill adoptou este sistema há mais de setenta anos e as crianças que por ali passaram parecem amar mais a sua escola do que os próprios pais. Entre eles contam-se insignes matemáticos, músicos e médicos, assim como artesãos, electricistas e cozinheiros. Mas contam-se, sobretudo, pessoas harmoniosas, seguras de si mesmas e felizes.

Há pouco tempo li a autobiografia de uma das maiores personalidades do século XX, Sir Winston Churchill, primeiro-ministro da Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial, um dos países aliados que derrotou Hitler. Churchill, além de político, foi um escritor laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1953. Foi desta forma que ele descreveu o seu trajecto escolar:

"Finalmente chegou o dia em que pus termo a quase doze anos de escolaridade. Trinta e seis trimestres durante os quais foi rara a ocasião em que aprendi algo de interesse ou utilidade. Em retrospectiva, aqueles anos conformam o período mais estéril da minha vida. Fui feliz enquanto criança com os brinquedos no meu quarto e sinto-me ainda mais feliz desde que me fiz homem. Contudo, essa etapa escolar constitui uma sombria e lúgubre mancha no meu percurso de vida.

Com efeito, uma educação prolongada, essencial para o progresso da sociedade, não constitui um processo natural para o ser humano. Vai contra a sua própria natureza. Um rapaz gosta de ir atrás do seu pai em busca de alimento ou de uma presa. Gosta de fazer coisas práticas até ao limite das suas forças. Gosta de ganhar um ordenado, por diminuto que seja, para contribuir para as finanças do lar. Adora ter tempo para aproveitar ou desperdiçar como bem entender. E, só então, talvez pela tarde, surgirá um verdadeiro desejo de aprender nas crianças mais prometedoras. Mas, porquê inculcá-lo à força nos que por isso não revelam interesse?"

Assim e só assim é possível abrir as «janelas mágicas» da inteligência." - Rafael Santandreu

quinta-feira, 28 de setembro de 2017





"Quão fraco e pobre acaba por ser aquele que precisa constantemente do elogio para se reafirmar e alimentar o seu mesquinho ego! Mesmo que tenha todas as posses do mundo, comporta-se como um miserável e torna-se o pior dos mendigos, já que não pede para comer, mas para dar de comer ao seu ego voraz." - Ramiro Calle

quarta-feira, 27 de setembro de 2017





"Para se elaborar uma relação, é necessário um espaço de compromisso e permanência que garanta uma base de segurança, de confiança no futuro, de crescimento e plenitude. Dito de uma forma mais simplista, uma relação verdadeira implica compromisso ou, o que é o mesmo, que estejamos nela por inteiro. Neste sentido, pode considerar-se que o amor é exigente: não pode ser vivido pela metade, não quer partes, não cresce quando não é integral, não cria projectos parciais. Não merece a pena viver o amor com uma disposição frouxa, porque a entrega a outra pessoa é uma rendição pessoal. 

Muitas relações morrem às mãos dos egos individuais. Para muitas pessoas, a entrega ao outro e o cuidado do outro são aspectos encarados como perdas pessoais, ou uma diluição no par amoroso, mas não é isto que se passa. Pelo contrário, uma pessoa encontra-se a si mesma ao encontrar o outro, e essa convergência promove a sua felicidade, ou seja, ao fazê-lo, essa pessoa acaba por descobrir a sua própria felicidade. O contrário gera medo, e engendra a necessidade de se reforçarem as defesas individuais. Assim, cada pessoa acaba por se identificar com aquilo que é «exclusivamente seu», e por criar, consciente ou inconscientemente, espaços de confronto. Esta é a via mais directa para a perda de respeito mútuo.

O respeito é um dos grandes ingredientes de uma consciência evoluída, entre outras coisas por que significa estar-se presente. Que melhor prenda podemos oferecer a alguém do que a nossa presença? Não se trata de uma presença física, mas de uma vontade de escutar o outro, de permitir que o som das suas palavras, o timbre da sua voz, a sua vibração, a energia que dele emana e que traduz o seu estado de alma, enfim, a sua presença penetrem o nosso ser. Há que estar presente, gerando uma convergência no espaço e no tempo. Não encontro um símbolo de respeito mais eloquente do que a presença de um perante a emergência do outro.

Obviamente que o respeito também pressupõe a elegância na comunicação, a renúncia à urgência das nossas palavras, gestos e intenções. O respeito aprecia a beleza, o tempo, a ocasião, a forma, a sintonia e a empatia, e permite que o outro seja plenamente quem é. O respeito é, pois, condição necessária para sermos respeitados.

O oposto disto é o menosprezo: quando não temos o outro em conta, separamo-nos dele. A ausência do outro é uma falta de consideração grave. É algo que se nota bem. O menosprezo é menos evidente, e utiliza, amiúde, formas subtis de mascarar o mal-estar que nos causa a presença do outro.

O menosprezo pode entender-se como qualquer afirmação formulada a partir de um plano de superioridade, e que visa posicionar o outro num plano de inferioridade. A maioria das vezes trata-se de um insulto. Receber o menosprezo de alguém que amamos é de tal forma stressante, que pode chegar a afectar o sistema imunitário. Conclusão: a partir do momento em que o menosprezo se torna mensurável, já não merece a pena conhecerem-se outros aspectos da relação." - Xavier Guix

terça-feira, 26 de setembro de 2017





"Todas as coisas boas levam tempo. Relações, carreiras, saúde, finanças, a nossa auto-estima: nada acontece do dia para a noite. Os passos pequenos funcionam melhor. Na sua causa de auto-aperfeiçoamento, ou outra qualquer, você estabelece um padrão de exigência sendo consistente nos seus esforços. Se estabelecer um ritmo simples e realista, ganhar balanço, acumular confiança, reunir uma experiência sadia, então, e só então, é possível que esteja preparado para a responsabilidade de liderar outras pessoas.

Numa palavra, a liderança é uma questão de integridade. A sua integridade. Porque você, e só você, sabe no seu íntimo o que viu, o que experienciou e o que é absoluto. Sem jogos, sem fachadas, sem «representar», apenas o seu verdadeiro eu. Só você conhece os anos que passou nos bastidores, aquele imenso tempo que o fez transpirar enquanto se aplicava e, ao mesmo tempo, mantinha uma atitude proactiva e lidava com tudo o que a vida lhe atirava constantemente para cima. Saber quem você realmente é deve ser suficiente.

E isso sem sentir que tem de fazer sapateado enquanto equilibra uma pirâmide de copos de água no nariz e canta a plenos pulmões, «The hills are a-l-i-v-e with the sound of m-u-s-i-c» para um público que nem sequer lança um olhar na sua direcção. Isso sem precisar de sentir que tem de suportar os insultos, os maus-tratos, ou as difamações.

Comece a aceitar-se por aquilo que é e pelas coisas que defende, incluindo o modo como vive a sua vida.

A sua integridade é uma questão de padrões de exigência pessoais, da forma como se comporta em todos os aspectos da sua vida. Por mais estranho ou idiota que isso possa parecer aos outros, a forma como gere e vive a sua vida, as suas acções e os seus critérios deve ser mais do que suficiente para sossegar esse S. Tomé cheio de dúvidas na sua cabeça. Se não estiver satisfeito, se não tiver confiança, uma confiança forte, naquilo que é e no que tenta alcançar, como é que espera que os outros o aceitem? Como é que espera dar o exemplo e marcar o ritmo se não acredita no seu bem mais importante? Você!

Valha o que valer, o meu conselho para si nesta fase da sua vida é: você conhece-se melhor do que qualquer outra pessoa. E, se não conhece, então veja se cresce, porque devia conhecer-se.

Retire, dispa, deite fora as suas desculpas, as suas fachadas, a sua postura defensiva, o violino a tocar e os rios de lágrimas a correr, e siga mas é em frente e comece a viver a sua vida. Chega de tretas, chega de álibis, chega de tempo perdido! 

E, sem querer faltar ao respeito a ninguém, embora os cônjuges, os amigos próximos e os familiares o possam conhecer intimamente, só você viveu a vida inteira na sua pele. Conhece os seus defeitos e os seus medos, o seu orgulho e todos os seus preconceitos. Talvez se tenha esquecido, talvez tenha recalcado algumas coisas daqueles anos importantes de infância, em que se estava a desenvolver, mas sabe que foram principalmente esses tempos, essas experiências, esses acontecimentos traumáticos, esses dias felizes, que fizeram de si o que é hoje.

O bom, o mau e o feio: é a sua vida." - Dave Pelzer

segunda-feira, 25 de setembro de 2017





"Não acontece mais nada. É só isto."

Gahan Wilson


"Numa caricatura do New Yorker, Gahan Wilson apresenta dois monges sentados lado a lado meditando, em silêncio e imóveis. Um deles é bastante velho e com grande experiência nos processos de meditação. O outro é jovem e apresenta uma expressão de perplexidade. É evidente que acabou de fazer uma pergunta ao seu mestre mais experiente. O monge idoso deu-lhe a seguinte resposta: "Não acontece mais nada. É só isto."

Gosto dessa banda desenhada porque, por diversas vezes, me tenho identificado com o monge mais jovem. "O que se segue agora? Não devia acontecer alguma coisa? Quando não se passa nada, não é uma perda de tempo?"

Também me agrada porque contém uma mensagem clara e importante sobre a forma como vivemos nestes tempos milenares. Tal como o jovem monge, precisamos da sabedoria daqueles que têm passado tempo em recolhimento, a escutar o seu coração, a conhecer questões que apenas o silêncio pode revelar, a absorver o silêncio que dá vida e procurando estar tão despertos quanto possível para o momento presente.

Precisamos da sabedoria dos antigos. Do conhecimento das bruxas, de feiticeiros, da sabedoria de padres e rabis, de espíritos iluminados que tenham passado algum tempo no cume da montanha.

A pergunta do monge mais jovem baseia-se num pressuposto firmemente enraizado nas nossas mentes ocidentais: o importante é aquilo que acontece. Muitas vezes até é verdade, mas "o que acontece" é também a parte que compreendemos melhor. A parte que não entendemos é a resposta do velho monge. "Não acontece mais nada." Não há qualquer acontecimento, mas existe algo. De facto, existe tudo.

A banda desenhada deixa implícito que, quando o velho monge desaparecer, o jovem assumirá o seu lugar, para que a sabedoria possa ter continuidade." - David Kundtz

domingo, 24 de setembro de 2017





"Eu sempre pensei que a escola convencional era um tremendo desperdício de tempo. E, se pensar bem no assunto, a maior parte das coisas que sei aprendi por iniciativa própria, fora do âmbito escolar. À parte das operações matemáticas básicas, da leitura e da escrita, não me lembro de nada do que me foi ensinado na escola. Não me lembro nem do nome de um maldito rio, de como fazer raízes quadradas, das diversas partes que compõem uma flor...

Onze anos consecutivos de escolarização! Seis ou sete horas diárias de estudo! Para chegar a este mísero resultado? Não será este um dos maiores fiascos da história da humanidade?

Estou convicto de que, aplicando devidamente a sua dedicação, a maior parte das crianças se poderiam tornar génios da música, da matemática ou da arte.

Meditemos sobre o assunto: se pudéssemos estudar agora, enquanto adultos, alguma matéria que verdadeiramente nos interessasse durante onze anos consecutivos, não atingiríamos um nível de conhecimento fenomenal? Imagine-se então com as crianças, que têm uma capacidade de aprendizagem incomparavelmente superior à nossa!

O problema das nossas escolas é a obrigatoriedade de estudar, que mata a curiosidade, a verdadeira fonte de aprendizagem. Pais e professores não confiam nas crianças, na sua vontade de fazer as coisas bem, de aprender, de construir coisas belas, e têm um medo irracional de que os meninos cresçam sem os conhecimentos necessários para competir no mundo adulto.

Afinal de contas, as escolas são lugares onde se ensina a temer a vida e os demais. Não é de estranhar que os jovens mais atrevidos se rebelem e se posicionem contra esta sociedade de medo. Os meninos que passam no crivo aprendem a mentir, a «competir» em vez de partilhar e a temer os demais e a vida. E tudo isto a troco de aprender as quatro regras da escrita e a matemática mais elementar! Que rico negócio!" - Rafael Santandreu